A saída de Martine Grael do Mubadala Brazil SailGP Team pegou o meio náutico de surpresa em setembro de 2026. A confirmação veio pelas próprias redes sociais da velejadora, que anunciou a decisão pelo Instagram com uma legenda que viralizou entre fãs do esporte: “oficialmente desempregada”.
Duas versões para a mesma saída
As explicações oficiais e pessoais para a saída divergem em tom. A equipe descreveu a mudança como “parte de uma reestruturação planejada”, afirmando que a decisão de Martine de não completar a temporada 2026 já estava alinhada estrategicamente com o momento do campeonato. Já a velejadora, em suas próprias declarações, expressou “decepção com a forma como a dinâmica interna do time se desenvolveu” — uma formulação que sugere divergências internas além do que o comunicado oficial da equipe descreve.
Como costuma acontecer nesse tipo de saída no esporte profissional, é provável que a verdade completa esteja em algum ponto entre as duas versões: uma decisão que tinha componente estratégico (o time já planejava mudanças para o fim de temporada) somada a um desgaste de relacionamento que acelerou o timing da saída.
Quem assume o leme do Brasil
No lugar de Martine, o britânico Paul Goodison assume a posição de timoneiro do F50 brasileiro. Goodison não é um nome qualquer no mundo da vela: é campeão olímpico e mundial na classe Laser, uma das categorias mais competitivas e tradicionais do esporte, o que dá ao time Brasil um piloto de currículo internacional consolidado para fechar a temporada.
Há alguma divergência entre fontes sobre quem assume a posição de estrategista ao lado de Goodison: parte da cobertura aponta a brasileira Marina Arndt na função, enquanto outras fontes — incluindo a comunicação mais recente da própria equipe Mubadala — indicam o retorno de Kahena Kunze ao posto de estrategista. Kahena foi parceira olímpica de Martine Grael na classe 49er FX, dupla que conquistou ouro nos Jogos Rio 2016 — o que tornaria esse retorno um reencontro simbólico com o legado olímpico da dupla, ainda que agora em lados diferentes do dia a dia da equipe.
Onde o Brasil está na tabela
O momento da mudança não é neutro do ponto de vista esportivo: o barco brasileiro soma 8 pontos na temporada 2026 e ocupa a 13ª posição na tabela geral, com apenas três etapas restantes no calendário. Trocar de timoneiro nessa altura do campeonato é uma aposta de curto prazo — o time claramente não está mirando o título 2026, e sim usar as etapas finais como teste para a formação que deve competir na temporada seguinte.

Para onde foi Martine Grael
Dias depois de deixar o Brasil, Martine foi anunciada como timoneira do time dos Estados Unidos para a etapa de Genebra do SailGP, disputada na Suíça. A equipe americana está em situação esportiva bem diferente da brasileira: ocupa a 3ª posição da temporada 2026, brigando diretamente por vaga na Grand Final de novembro em Abu Dhabi.
Para Martine, a troca representa a chance de competir por resultados relevantes nas etapas finais da temporada, numa embarcação com histórico de desempenho mais forte que o brasileiro em 2026.
O legado de Martine Grael na SailGP
Martine estreou na SailGP em 2025 pelo Brasil, tornando-se a primeira mulher a ocupar um papel permanente de timoneira no campeonato — posição historicamente dominada por homens na elite da vela de alta performance com os catamarãs voadores F50. Ela também foi a primeira mulher a vencer uma regata de frota na competição, feito conquistado na etapa de Nova York.
Esse histórico é parte do motivo pelo qual a saída do Brasil gerou tanta repercussão: Martine não era apenas mais uma contratação, mas uma figura que abriu espaço para presença feminina de protagonismo num esporte que segue, em grande parte, com escassa representação de mulheres em posições de comando das embarcações.
O que é a SailGP, pra quem não acompanha o esporte
A SailGP é um campeonato internacional de vela criado em 2019, disputado com catamarãs voadores da classe F50 — embarcações de fibra de carbono equipadas com foils (asas submersas) que erguem o casco acima da água, permitindo velocidades acima de 100 km/h em condições ideais de vento. É considerada a fórmula 1 da vela: cada equipe representa um país, com tripulação fixa de cinco pessoas (incluindo timoneiro e estrategista) e barcos tecnicamente idênticos, o que coloca o foco da disputa na habilidade da tripulação, não na diferença de equipamento.
A temporada 2026 do campeonato começou em janeiro e se estende até novembro, com treze etapas espalhadas por diferentes países, encerrando com a Grand Final em Abu Dhabi, que reúne as melhores equipes da temporada regular numa disputa decisiva pelo título.
O Brasil é pioneiro na competição
O Mubadala Brazil SailGP Team é a primeira equipe sul-americana a competir no campeonato — um marco para o esporte na região, já que a vela de alta performance historicamente concentra suas equipes na Europa, Oceania e América do Norte. A equipe brasileira disputa a maior parte das etapas da temporada 2026, com exceção de duas datas do calendário.
Uma das etapas mais aguardadas pelo torcedor brasileiro foi justamente a estreia em casa: o Rio Sail Grand Prix, disputado na Baía de Guanabara em abril de 2026. A etapa, no entanto, não teve final feliz para o time da casa — a vitória ficou com a equipe australiana (Bonds Flying Roos), reforçando que, mesmo com apoio da torcida, o Brasil ainda buscava consistência de resultados antes mesmo da mudança de timoneiro que agora ocorre nas etapas finais da temporada.
O que vem pela frente
Restam três etapas na temporada 2026 do SailGP antes da Grand Final de novembro em Abu Dhabi. Para o Brasil, o desafio agora é usar essas etapas para avaliar se a combinação Goodison/estrategista consegue melhorar a performance de uma temporada que, com 8 pontos e 13º lugar, ficou abaixo do que a equipe projetava ao entrar em 2026. Para Martine, o objetivo imediato é somar pontos relevantes pelo time americano e, possivelmente, negociar sua posição para a temporada 2027 a partir de um resultado forte nas etapas finais deste ano.
Perguntas frequentes
Por que Martine Grael saiu do time Brasil? As versões divergem: a equipe fala em reestruturação planejada, e Martine cita decepção com a dinâmica interna do time.
Quem é o novo timoneiro do Brasil na SailGP? O britânico Paul Goodison, campeão olímpico e mundial na classe Laser.
Martine Grael vai competir em qual time agora? No time dos Estados Unidos, atualmente na 3ª posição da temporada 2026.
Em que posição está o Brasil na tabela do SailGP 2026? 13º lugar, com 8 pontos, faltando três etapas para o fim da temporada regular.
O que é a Grand Final da SailGP? É a etapa decisiva da temporada, disputada em Abu Dhabi, que reúne as equipes mais bem posicionadas para definir o campeão do ano — diferente das demais etapas, que somam pontos ao longo da temporada regular.
Fontes: Pressmare, Náutica.com.br, SailGP.com e Scuttlebutt Sailing News, com informações publicadas entre 11 e 18 de setembro de 2026.