Ocean Race 2024-2025: a volta ao mundo a vela mais intensa das últimas décadas

A Ocean Race é a volta ao mundo a vela por equipes mais desafiadora do planeta, disputada a cada poucos anos desde 1973. Na sua edição mais recente com volta ao mundo completa, a competição saiu de Alicante, na Espanha, e percorreu cerca de 32.000 milhas náuticas (mais de 60.000 km) passando pelos principais oceanos do globo — incluindo as temidas águas do Mar do Sul, consideradas as mais perigosas do mundo para a navegação.

O formato da competição

As equipes navegam em barcos IMOCA 60 — monocascos foiling de 60 pés projetados para suportar condições extremas em qualquer condição de mar. Diferente do SailGP, que usa catamarãs foiling em regatas curtas e costeiras, a Ocean Race prioriza a resistência: as tripulações ficam no mar por semanas seguidas, dormindo em turnos e enfrentando tempestades, gelo e ventos que podem superar 50 nós, muitas vezes a milhares de quilômetros de qualquer costa ou resgate rápido.

Ciclo atual: de 2023 à próxima volta ao mundo em 2027

A última edição com volta ao mundo completa terminou em 2023, com a histórica vitória do 11th Hour Racing Team — a primeira equipe dos Estados Unidos a vencer a prova em toda a sua história. Entre uma volta ao mundo e outra, a organização mantém o circuito aquecido com eventos intermediários: em 2025, a Ocean Race Europe levou o fleet IMOCA de Kiel, na Alemanha, até a Baía de Boka, em Montenegro, em um percurso de cerca de 4.500 milhas náuticas dividido em cinco etapas. A equipe francesa Biotherm, comandada por Paul Meilhat, dominou o evento ao vencer três das cinco pernas e fechar a campanha com folga na liderança geral. A próxima volta ao mundo completa está marcada para janeiro de 2027, novamente com largada em Alicante, reunindo as principais equipes do circuito IMOCA para outro périplo pelos quatro oceanos.

Por que acompanhar a Ocean Race

Para quem ama vela oceânica, a Ocean Race é o evento definitivo. Ela expõe a vela de performance a um público global e coloca em evidência questões como sustentabilidade, coleta de dados oceanográficos e inovação em materiais — os barcos IMOCA carregam sensores científicos que registram temperatura, salinidade e concentração de CO2 da água ao longo de toda a rota, dados usados por institutos de pesquisa oceânica ao redor do mundo. As paradas em cidades litorâneas costumam reunir centenas de milhares de visitantes durante os chamados “Race Villages”, com barcos abertos à visitação pública e programação para toda a família.

Com a próxima volta ao mundo se aproximando em 2027, o intervalo atual é o momento em que novas equipes se formam, barcos são projetados e testados, e velejadores buscam experiência em eventos intermediários como a Ocean Race Europe. Acompanhar essa fase de preparação é, para o torcedor mais atento, tão interessante quanto a própria corrida — é nela que se decide quais equipes chegarão mais bem preparadas para as 32.000 milhas náuticas que os esperam pela frente.

O que esperar da próxima volta ao mundo

Com a data de largada confirmada para janeiro de 2027, os estaleiros que constroem IMOCA 60 já trabalham a todo vapor produzindo novos cascos otimizados para foiling em condições oceânicas — uma evolução constante desde que a classe adotou os foils totalmente suspensos. Equipes tradicionais devem anunciar seus line-ups e patrocinadores ao longo de 2026, enquanto skippers que se destacaram no Vendée Globe e na Ocean Race Europe surgem como favoritos para liderar as principais campanhas. Para o público brasileiro, que ainda tem pouca tradição de acompanhar vela oceânica de longa distância, esse ciclo de preparação é uma boa oportunidade para conhecer o esporte antes da grande largada, entendendo o formato, as equipes e a tecnologia que tornam a Ocean Race uma das provas mais duras do calendário esportivo mundial.

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