A America’s Cup 2024 aconteceu em Barcelona com barcos AC75 atingindo velocidades acima de 90 km/h. Em 19 de outubro de 2024, o Emirates Team New Zealand venceu o INEOS Britannia por 7 a 2 na final, conquistando o tricampeonato consecutivo e confirmando domínio total sobre o formato foiling que revolucionou a competição nos últimos ciclos.

O que foi a Louis Vuitton Cup
Antes da final contra o defensor neozelandês, os challengers disputaram a Louis Vuitton Cup para definir quem enfrentaria a Nova Zelândia pela taça. Depois da fase de round robin, que reduziu o pelotão de desafiantes, as semifinais colocaram o INEOS Britannia contra o Alinghi Red Bull Racing — vitória britânica — enquanto o Luna Rossa Prada Pirelli superou o NYYC American Magic em uma série disputada. Na final da Louis Vuitton Cup, o INEOS Britannia bateu o Luna Rossa por 7 a 4, conquistando o direito histórico de representar o Reino Unido na decisão pela primeira vez em 60 anos. A campanha britânica foi um dos grandes destaques da temporada, com direito a virada emocionante contra os italianos.
A tecnologia dos AC75
Os barcos AC75 são monocascos de 75 pés com foils ativos controlados digitalmente por sistemas hidráulicos e sensores em tempo real. Eles voam acima da água a velocidades que chegam a 50 nós — mais de 90 km/h — sustentados por apenas dois braços de foil que se alternam conforme a bordejada. Essa tecnologia representa o limite máximo da engenharia náutica de competição atualmente disponível no mundo, unindo aerodinâmica de avião, hidrodinâmica de submarino e controle eletrônico de Fórmula 1 em um único casco de carbono.
O que vem depois de Barcelona
Em maio de 2025 foi confirmado que a 38ª edição da America’s Cup, a Louis Vuitton 38th America’s Cup, será disputada em Nápoles, na Itália, com a Match final prevista para julho de 2027. A escolha da cidade italiana — Patrimônio Mundial da UNESCO e uma das mais antigas da Europa — marca a primeira vez que a competição passa pelo Mediterrâneo desde a passagem por Barcelona. A região entre o Castel dell’Ovo e Posillipo vai sediar as regatas, com o bairro de Bagnoli sendo transformado em vila olímpica para receber as equipes. O formato dos barcos também segue em discussão, já que diversos challengers pedem regras que reduzam custos de desenvolvimento e ampliem a participação de equipes com orçamentos menores na competição mais antiga do esporte à vela em nível internacional.
Por que Barcelona 2024 entrou para a história
Além do resultado esportivo, a edição de Barcelona marcou a consolidação definitiva dos AC75 como o padrão da vela de alta performance mundial. Multidões acompanharam as regatas tanto na água quanto pelas transmissões digitais, que trouxeram gráficos em tempo real com velocidade, ângulo de foil e distância entre os barcos — recursos que aproximaram o público leigo do esporte. Para o Brasil, que ainda constrói sua tradição em vela oceânica de alta performance, acompanhar o ciclo rumo a Nápoles 2027 é uma oportunidade de entender como uma das competições mais antigas do mundo continua se reinventando tecnologicamente a cada edição.
O legado da rivalidade entre Nova Zelândia e os desafiantes
A hegemonia recente do Emirates Team New Zealand na America’s Cup tem raízes em um investimento consistente em tecnologia de foiling ao longo de múltiplos ciclos da competição. Desde que os catamarãs voadores substituíram os monocascos tradicionais, a equipe neozelandesa consolidou reputação de estar sempre um passo à frente em termos de engenharia — um padrão que rivais como o INEOS Britannia e o Luna Rossa Prada Pirelli tentam quebrar a cada nova edição, geralmente com investimentos que também chegam à casa das centenas de milhões de dólares.
O papel decisivo da Louis Vuitton Cup
A série eliminatória que define o desafiante da America’s Cup é, em muitos aspectos, uma competição à parte dentro do próprio evento. Equipes que disputam a Louis Vuitton Cup precisam equilibrar o desgaste físico e material de semanas de regatas consecutivas com a necessidade de guardar informações estratégicas do próprio desempenho, já que tudo o que é mostrado nas eliminatórias pode ser estudado pelo defensor do título antes da disputa final pela taça.
Como a tecnologia de transmissão mudou a forma de assistir
Um dos avanços mais notáveis das últimas edições da America’s Cup foi a evolução dos gráficos de transmissão em tempo real, que hoje mostram velocidade instantânea, ângulo de foil e distância entre embarcações sobrepostos à imagem ao vivo. Esse tipo de recurso aproximou o público leigo do esporte, permitindo entender detalhes técnicos da disputa que antes só eram perceptíveis para especialistas acompanhando de perto ou com anos de experiência no esporte à vela.
Rumo a Nápoles 2027
Com a próxima edição confirmada na Itália, a expectativa do circuito é que o ciclo de preparação leve as equipes a testar novas soluções técnicas dentro das regras vigentes da classe AC75, enquanto a discussão sobre formato e custo de desenvolvimento segue como pauta recorrente entre os participantes. Para o público internacional da vela, incluindo o brasileiro, acompanhar essa fase de preparação é uma forma de entender como uma competição criada em 1851 continua se reinventando tecnologicamente a cada novo ciclo.
Os cinco desafiantes já confirmados para Nápoles 2027
A disputa pela 38ª America’s Cup já tem cinco equipes oficialmente confirmadas: a defensora Emirates Team New Zealand, o desafio italiano da casa com a Luna Rossa Prada Pirelli, a equipe britânica GB1 (liderada por Dylan Fletcher, o mesmo velejador que comanda a Emirates GBR no SailGP), a suíça Tudor Team Alinghi e a francesa K-Challenge. A presença de Dylan Fletcher à frente do desafio britânico reforça como o alto nível da vela de foiling profissional tem, cada vez mais, os mesmos nomes circulando entre diferentes circuitos — o próprio Fletcher divide a temporada entre a America’s Cup e as etapas do SailGP.
Datas já definidas para a decisão em Nápoles
A confirmação de Nápoles como sede aconteceu em maio de 2025, num anúncio conjunto entre a Emirates Team New Zealand e o governo italiano — a primeira vez na história da competição que a disputa acontece em solo italiano. O Match final da 38ª America’s Cup está marcado para começar em 10 de julho de 2027, com conclusão prevista entre 17 e 18 de julho daquele ano. O percurso de regatas ficará na Baía de Nápoles, próximo à orla da cidade, com as bases das equipes e a infraestrutura técnica principal concentradas no bairro de Bagnoli — a mesma região citada na cobertura anterior sobre a escolha da sede.
Por que times de SailGP e America’s Cup compartilham tantos nomes
A circulação de velejadores entre a America’s Cup e o SailGP, como no caso de Dylan Fletcher, reflete a natureza ainda relativamente pequena do universo de profissionais capacitados a competir no mais alto nível de vela com foiling. Pilotar um AC75 ou um F50 exige um conjunto de habilidades técnicas e físicas extremamente específico, construído ao longo de anos de experiência em classes de foiling de alta performance — o que faz com que os melhores velejadores do mundo frequentemente dividam a temporada entre múltiplos compromissos, gerenciando calendários que podem se sobrepor entre diferentes circuitos ao longo do ano.
O impacto econômico de sediar uma America’s Cup
Além do espetáculo esportivo, sediar uma edição da America’s Cup costuma representar um investimento relevante em infraestrutura urbana e turística para a cidade escolhida — reforma de orla, construção de bases temporárias para as equipes e expectativa de grande fluxo de visitantes internacionais durante as semanas de competição. Esse tipo de impacto econômico é frequentemente citado por governos locais como justificativa para os investimentos públicos envolvidos na candidatura e recebimento do evento, seguindo um padrão observado também em edições anteriores disputadas em cidades como Auckland e Barcelona.