
A equipe espanhola Los Gallos, comandada pelo bicampeão olímpico Diego Botín, confirmou seu grande momento na temporada 2026 do SailGP ao vencer a etapa de Portsmouth, disputada no fim de semana de 25 e 26 de julho nas águas do Solent, no sul da Inglaterra. Foi a segunda vitória consecutiva da Espanha no campeonato, um feito que reforça a equipe como a principal candidata a incomodar a hegemonia australiana na briga pelo título da temporada.
Na final da etapa britânica, Los Gallos superou três adversários de peso: a Suécia do Artemis Racing, comandada por Nathan Outteridge; a Suíça do Explora Swiss, com Sébastien Schneiter no leme; e o Canadá do Northstar Sailing Team, liderado por Giles Scott. A disputa aconteceu sob condições de vento forte, um cenário que Botín classificou como ideal para o desempenho de sua equipe.
Vento forte favorece os espanhóis no Solent
“Foi um fim de semana incrível — com as condições que tivemos, muito vento, com a asa pequena, que é algo que adoramos”, disse Diego Botín após a conquista, destacando a consistência do Los Gallos ao longo de todo o evento, não apenas na corrida decisiva. A configuração de asa pequena, usada pelas equipes do SailGP quando os ventos ultrapassam determinados limites, tende a acentuar as diferenças técnicas entre as tripulações, e foi justamente nesse cenário que a equipe espanhola conseguiu se destacar da concorrência.
Do lado sueco, Nathan Outteridge reconheceu a competitividade da disputa mesmo com a derrota. “A final poderia ter ido para qualquer lado. Nós tínhamos a liderança, tivemos uma largada muito boa”, afirmou o velejador australiano que comanda o Artemis Racing, resumindo o equilíbrio que marcou os embates finais da etapa em Portsmouth.
Austrália segue na liderança, mas margem encolhe
Com o resultado, a Espanha chega a 54 pontos no campeonato geral do SailGP, na segunda colocação, reduzindo a distância para a líder Austrália, comandada por Tom Slingsby, que soma 66 pontos após a disputa de oito das treze etapas previstas para a temporada. A Suécia de Nathan Outteridge aparece na terceira posição, com 47 pontos, mantendo o pelotão de ponta disputado entre três equipes que já demonstraram capacidade de vencer regatas decisivas.
A vitória consecutiva de Los Gallos em Portsmouth reacende a expectativa de uma disputa acirrada pelo título até as etapas finais da temporada. Historicamente, o SailGP tem decidido seus campeões em corridas de desempate disputadas na última etapa, e uma diferença de 12 pontos a seis rodadas do fim do calendário é considerada administrável para uma equipe no ritmo de vitórias que a Espanha vem demonstrando.
Para o Brasil, a etapa de Portsmouth marcou o retorno de Martine Grael ao leme do Mubadala Brazil SailGP Team, que havia enfrentado mudanças de comando ao longo da temporada. A dupla medalhista olímpica voltou a comandar a embarcação nacional na competição, mas a equipe brasileira encerrou o evento em 13º lugar, somando apenas 8 pontos no campeonato geral — um resultado que evidencia o desafio que o time enfrenta para se aproximar do pelotão de ponta em uma categoria cada vez mais competitiva e tecnicamente exigente.
O retorno de Grael é visto internamente como um passo importante para a reconstrução do desempenho brasileiro na competição, já que a velejadora traz consigo experiência acumulada em múltiplos ciclos olímpicos e em outras modalidades de vela de alto rendimento. A expectativa da equipe é usar as próximas etapas para ajustar a configuração da embarcação e a sincronia da tripulação, elementos decisivos no SailGP, onde décimos de segundo em manobras podem definir a diferença entre a zona de classificação para a final e a eliminação precoce.
Próxima parada: Alemanha
O calendário do SailGP segue agora para Sassnitz, na Alemanha, onde acontece o ROCKWOOL Germany Sail Grand Prix, marcado para os dias 22 e 23 de agosto de 2026. A etapa alemã será a nona de treze no calendário da temporada e promete nova oportunidade tanto para a Espanha tentar ampliar sua sequência de vitórias quanto para a Austrália responder e recuperar terreno na liderança geral.
Com apenas cinco etapas restantes após Sassnitz, cada resultado passa a ter peso crescente na definição do campeão da temporada 2026. A combinação de ventos variáveis do norte da Europa, características técnicas dos catamarãs voadores F50 e a pressão psicológica de uma disputa cada vez mais apertada deve manter o SailGP como um dos eventos mais assistidos do calendário náutico internacional nas próximas semanas.