A equipe australiana BONDS Flying Roos venceu a final do ROCKWOOL Germany Sail Grand Prix, disputado no fim de semana em Sassnitz, na Alemanha, e ampliou a liderança no Rolex SailGP Championship 2026 depois de um fim de semana marcado por recorde de velocidade, condições climáticas extremas e uma polêmica penalidade que tirou os Black Foils da Nova Zelândia do pódio na etapa decisiva.
Recorde de velocidade no primeiro dia
O evento, nono da temporada do Rolex SailGP Championship, começou no sábado (22) com a equipe francesa DS Automobiles estabelecendo um novo recorde de velocidade da categoria: 107,63 km/h, superando a marca anterior de 103,93 km/h que pertencia à Dinamarca. O recorde ilustra o nível de competitividade das embarcações F50 nas águas do Mar Báltico, região que já havia se mostrado favorável a velocidades elevadas em edições anteriores do evento em Sassnitz.
Ainda no primeiro dia, os Black Foils neozelandeses, comandados por Peter Burling, dominaram o Grupo A com duas vitórias e um terceiro lugar, somando 12 pontos e terminando a jornada na liderança isolada da chave, um ponto à frente da França. Do outro lado da divisão, os BONDS Flying Roos lideravam o Grupo B com 10 pontos, mesmo após sofrerem uma penalidade por falta na terceira regata do dia. A Alemanha, país-sede do evento, também teve motivo para comemorar ao conquistar sua primeira vitória na competição.
Segundo dia: chuva, vento forte e visibilidade quase nula
As condições no domingo (23) pioraram drasticamente em relação ao primeiro dia. Rajadas de vento chegaram a 40 km/h, acompanhadas de chuva forte, tornando a navegação extremamente exigente para as tripulações. Mesmo diante do cenário adverso, os Black Foils confirmaram o bom momento e terminaram na liderança da fase de classificação com 19 pontos somados em duas regatas, garantindo presença na disputa final ao lado de BONDS Flying Roos (Austrália), NorthStar (Canadá) e Los Gallos (Espanha).
Foi a primeira vez que a equipe neozelandesa chegava a uma final de etapa desde a colisão registrada em Auckland, em fevereiro, um retorno simbólico para a tripulação de Peter Burling depois de meses reconstruindo a confiança na embarcação.

Final emocionante com pênalti decisivo
Na regata decisiva, disputada em condições de visibilidade quase nula por causa da chuva, os BONDS Flying Roos assumiram a liderança já na primeira boia e não deram chances aos adversários, cruzando a linha de chegada em primeiro lugar e confirmando o triunfo na etapa alemã. O canadense NorthStar terminou em segundo, seguido pelos espanhóis do Los Gallos em terceiro.
Os Black Foils, no entanto, viram a chance de pódio escapar por um detalhe: a equipe neozelandesa recebeu uma penalidade na linha de chegada por não manter distância regulamentar do barco espanhol Los Gallos, sendo rebaixada para a quarta colocação. A decisão frustrou a tripulação de Peter Burling, que vinha de uma campanha sólida ao longo de todo o fim de semana e via ali a chance de encerrar o jejum de pódios na temporada.
Como fica o campeonato
Com o resultado em Sassnitz, os BONDS Flying Roos ampliaram a vantagem na liderança do Rolex SailGP Championship 2026, chegando a 76 pontos após o nono evento da temporada — 14 pontos à frente do segundo colocado, a equipe espanhola Los Gallos, que soma 62 pontos. Completam o top 5 provisório a equipe Artemis, com 53 pontos, e um empate entre Emirates GBR e a equipe dos Estados Unidos, ambas com 46 pontos.
Já os Black Foils da Nova Zelândia ocupam a 12ª posição geral do campeonato, com 21 pontos — resultado que reflete uma temporada irregular, mas que ganhou fôlego justamente na etapa alemã, com o retorno da equipe a uma disputa de final depois do acidente do início do ano.

O momento das outras equipes
A etapa de Sassnitz também trouxe sinais interessantes para o restante do grid. A Alemanha, ao vencer sua primeira regata da temporada diante do público local, mostrou evolução em uma temporada até então discreta, enquanto o Canadá, com o NorthStar, confirmou a segunda colocação na final e reforçou a campanha de reconstrução da equipe após temporadas irregulares. Já a Espanha, com o Los Gallos subindo ao pódio em casa antes da etapa de Valência, chega embalada para o próximo compromisso do calendário, mesmo seguindo atrás dos líderes australianos na tabela geral.
O que esperar da próxima etapa
O calendário do Rolex SailGP Championship segue agora para a Espanha, com o Spain Sail Grand Prix marcado para o período de 5 a 7 de setembro, em Valência. A etapa espanhola ganha contexto especial pela presença da equipe local Los Gallos, atual vice-líder do campeonato e que chega embalada após o pódio conquistado em casa, na Alemanha.
Para os Black Foils, a etapa de Valência representa a chance de consolidar a evolução mostrada em Sassnitz e tentar, enfim, voltar a subir ao pódio de uma etapa completa — meta que a equipe neozelandesa persegue desde o acidente que a tirou de combate no início da temporada. Já para os líderes BONDS Flying Roos, o desafio passa a ser administrar a vantagem construída na Alemanha, mantendo o ritmo vitorioso em um campeonato que ainda tem pela frente diversas etapas decisivas até a grande final da temporada.
O peso da penalidade no resultado final
A regra que penalizou os Black Foils na linha de chegada é um dos pontos mais debatidos entre tripulações e comentaristas do SailGP: a obrigação de manter distância mínima de outra embarcação em situações de proximidade extrema, especialmente em condições de baixa visibilidade como as registradas no domingo em Sassnitz. Em alta velocidade e com chuva reduzindo a percepção de distância, decisões de fração de segundo acabam definindo se uma equipe termina no pódio ou fora dele — e foi exatamente esse tipo de julgamento apertado que custou a vaga entre os três primeiros à tripulação neozelandesa.
Para Peter Burling, velejador multicampeão que comanda os Black Foils, o resultado tem sabor agridoce: por um lado, a equipe confirmou que está tecnicamente competitiva o suficiente para brigar pelas primeiras posições após meses de reconstrução pós-acidente; por outro, viu escapar a chance de comemorar um pódio logo na volta a uma final de etapa.
Por que Sassnitz se tornou um palco de recordes
Não é a primeira vez que a etapa alemã do SailGP entrega recordes de velocidade. As águas relativamente abertas do Mar Báltico ao largo de Sassnitz, combinadas com ventos que costumam soprar de forma consistente na região durante o fim do verão europeu, criam condições favoráveis para que as embarcações F50 — capazes de voar sobre a água graças aos foils hidrodinâmicos — atinjam velocidades próximas ao limite técnico da categoria. Some-se a isso o nível de competitividade elevado da temporada 2026, com equipes tecnicamente mais próximas umas das outras do que em edições anteriores, e o resultado é um evento que combina espetáculo, risco e imprevisibilidade, como ficou evidente na disputa apertada pelo pódio em Sassnitz.