
A BMW deu mais um passo na direção da eletrificação náutica ao apresentar, em parceria com a startup alemã Tyde, o ‘The Icon’ — um mini-iate elétrico de 13 metros equipado com dois motores elétricos alimentados por seis baterias que somam 240 kWh de capacidade, tecnologia diretamente emprestada da linha de carros elétricos da montadora alemã.
O projeto ainda está na fase de protótipo, mas já reforça uma tendência que vem ganhando força na indústria náutica global: o uso de plataformas de bateria originalmente desenvolvidas para carros elétricos em embarcações de médio porte, aproveitando anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento que as montadoras de automóveis já fizeram nessa tecnologia. Para a BMW, aplicar sua própria tecnologia de baterias num barco é uma forma de expandir o alcance da marca para além do mercado automotivo tradicional, entrando num nicho de luxo que já vem sendo disputado por diferentes fabricantes ao redor do mundo.
A Tyde, parceira da BMW no projeto, é uma startup alemã especializada em embarcações elétricas de alto desempenho, com foco em hidrofólios — tecnologia que eleva parcialmente o casco da embarcação para fora da água, reduzindo o atrito e aumentando a eficiência energética. Essa combinação de hidrofólio com propulsão elétrica é vista como um dos caminhos mais promissores para reduzir o consumo de energia em embarcações de lazer, um problema histórico das lanchas e iates elétricos tradicionais, que costumam sofrer com autonomia limitada por causa do arrasto da água no casco.
O lançamento do ‘The Icon’ acontece num momento em que a indústria náutica mundial vem apresentando uma safra cada vez maior de embarcações elétricas e híbridas: do brasileiro JAQ H1, movido a hidrogênio verde e apresentado no Marina Itajaí Boat Show, ao iate solar Helios 11, que atravessou milhares de quilômetros sem reabastecer, passando por modelos híbridos como o Greenline 50. A entrada de uma montadora do porte da BMW nesse mercado é vista como um sinal de que a eletrificação náutica está deixando de ser nicho para se tornar tendência de mercado mais consolidada.
Para o mercado brasileiro, ainda distante da produção local desse tipo de tecnologia em escala, lançamentos como o da BMW servem como vitrine do que deve chegar ao país nos próximos anos — provavelmente primeiro como produto de importação de altíssimo padrão, restrito a um público muito específico de compradores de iates de luxo, antes de eventualmente se popularizar em escalas menores de embarcação.
Por ora, o ‘The Icon’ segue como prova de conceito da BMW e da Tyde, sem data de produção em série anunciada. Ainda assim, o projeto reforça a aposta da indústria automotiva em expandir sua tecnologia de baterias para outros meios de transporte além dos carros — um movimento que tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que a eletrificação avança também no setor náutico global.
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