O que é o SailGP?
O SailGP é um campeonato global de vela de alta performance fundado em 2019 por Larry Ellison, cofundador da Oracle, e Russell Coutts, um dos maiores velejadores da história, cinco vezes campeão da America’s Cup. Em essência, é a Fórmula 1 dos mares: velocidades acima de 90 km/h, catamarãs que literalmente voam sobre a água e equipes das maiores potências náuticas do mundo competindo em etapas ao redor do globo.

Como surgiu o campeonato
A ideia do SailGP nasceu da vontade de tornar a vela de elite mais acessível e emocionante para o grande público. Diferentemente da America’s Cup, disputada a cada alguns anos entre desafiantes e detentor do título, o SailGP funciona como uma liga anual, com um calendário fixo de etapas (chamadas de Grand Prix) em cidades litorâneas ao redor do mundo. A primeira temporada aconteceu em 2019, e desde então o campeonato cresceu de forma consistente, incorporando novas equipes nacionais a cada temporada — a temporada 2026 reúne uma frota recorde de treze nações e uma bolsa de premiação total que ultrapassa os 12 milhões de dólares.
Os F50: os barcos que voam
O coração do SailGP são os F50, catamarãs de 15 metros construídos com fibra de carbono. O nome vem de “foiling 50 knots” — a velocidade-alvo de 50 nós (92 km/h) que os barcos atingem com facilidade. A tecnologia de foiling eleva o casco acima da água por meio de apêndices submersos em forma de asa, eliminando o atrito e permitindo velocidades extraordinárias mesmo com ventos moderados. Para a temporada 2026, os F50 receberam uma nova vela rígida modular de 27,5 metros, projetada para manter os barcos voando mesmo em condições de vento mais leve, o que deixa as regatas ainda mais disputadas.
Todos os times competem com barcos idênticos, fornecidos e mantidos pela organização do campeonato. Isso garante que o resultado seja determinado pela habilidade dos velejadores e pela estratégia de equipe, não pelo orçamento de engenharia — uma filosofia de “one design” que aproxima o SailGP de campeonatos monomarca do automobilismo.
Os times do SailGP
As equipes representam nações e são administradas por fundos de investimento ou consórcios esportivos. Entre os participantes estão:
- Austrália — historicamente competitivo, múltiplos títulos
- Nova Zelândia — berço do foiling moderno
- Grã-Bretanha — tradição náutica secular
- Brasil — crescendo a cada temporada
- França, Japão, Dinamarca, Suíça, Espanha, EUA, Alemanha, Itália e mais
Como funciona uma etapa e o sistema de pontuação?
Cada etapa do SailGP acontece ao longo de um fim de semana em uma cidade anfitriã à beira-mar e reúne sete regatas. No primeiro dia e parte do segundo, as equipes disputam seis regatas de frota (fleet races), com pontuação decrescente: dez pontos para o primeiro colocado, nove para o segundo, e assim por diante. Um barco que larga mas não termina a prova recebe um ponto; um barco desclassificado ou que não larga não pontua. Ao final das seis regatas classificatórias, as três equipes mais bem colocadas do fim de semana avançam para a final do Grande Prêmio, que define o campeão daquela etapa.
No fim da temporada, as três equipes líderes do ranking geral se enfrentam no Grand Final, cujo vencedor é coroado campeão daquela temporada do SailGP — um formato que mantém a disputa aberta até a última regata.
O formato é curto, intenso e feito para o espectador: as corridas acontecem próximas à costa, as manobras são radicais e a velocidade é impressionante até para quem assiste de longe, seja pela praia, por barcos de acompanhamento ou pela transmissão ao vivo.
O time Brasil no SailGP
O Brasil entrou no SailGP com Martine Grael, bicampeã olímpica e primeira mulher da história a atuar como driver no campeonato, liderando a equipe nacional. A entrada do país no grid já rendeu, inclusive, a primeira etapa disputada em solo brasileiro: o Enel Rio Sail Grand Prix, realizado em 11 e 12 de abril de 2026 na Baía de Guanabara, marco histórico que consolidou o Brasil como sede fixa do circuito. Com o Brasil sendo uma das grandes potências náuticas do mundo — tanto em competição olímpica quanto em infraestrutura e tradição de vela —, a expectativa segue sendo a de que a equipe nacional evolua na classificação geral nas próximas temporadas, ainda em fase de consolidação técnica no grid.
Por que o SailGP importa para o esporte
O SailGP representa a democratização do esporte a vela de elite. Com transmissões globais, formato de fácil compreensão e um produto visual de altíssimo nível, o campeonato trouxe novos públicos para a vela, muitos deles sem qualquer familiaridade prévia com o esporte. A tecnologia de foiling desenvolvida para o circuito está influenciando toda a indústria náutica, de regatas amadoras até projetos de iates de luxo, além de servir de vitrine para pesquisa em materiais leves e aerodinâmica aplicada à navegação. O campeonato também adota uma agenda de sustentabilidade, com a meta declarada de se tornar neutro em emissões de carbono e promover a purificação dos oceanos nas cidades-sede.
Como assistir ao SailGP
O SailGP transmite ao vivo pelo seu canal oficial no YouTube. Acesse sailgp.com para o calendário completo de transmissões e detalhes de cada etapa. No Brasil, fique atento às plataformas de streaming que podem adquirir direitos de transmissão para temporadas futuras.
Náutica BR — conteúdo editorial independente. Não somos o site oficial do SailGP.
Atualização sobre transmissão no Brasil
Diferente do que se sabia no início da temporada, a cobertura do SailGP no Brasil já está consolidada: SporTV (Grupo Globo) e BandSports — este último transmitindo o campeonato desde 2021 — renovaram os acordos de transmissão especificamente para cobrir a temporada 2026, incluindo a etapa histórica do Rio de Janeiro.
Larry Ellison, Russell Coutts e a origem do investimento
A dupla por trás da criação do SailGP em 2019 combina dois perfis complementares: Larry Ellison, bilionário cofundador da Oracle e um dos armadores mais conhecidos do mundo dos superiates, entrou como principal investidor e financiador do projeto; já Russell Coutts, neozelandês pentacampeão da America’s Cup como velejador, assumiu a liderança esportiva e de formato de competição, aplicando décadas de experiência de alto rendimento na criação de um circuito pensado desde o início para televisão e streaming, e não apenas para o público presencial tradicional da vela.
De onde vem o dinheiro que sustenta cada equipe
Diferente de clubes de futebol ou equipes de Fórmula 1, as equipes do SailGP não são donas dos próprios barcos — o F50 é fornecido e mantido centralmente pela organização do campeonato, que também banca boa parte da estrutura logística de cada etapa. Isso permite que o investimento de cada consórcio ou fundo por trás de uma equipe nacional se concentre em contratar os melhores velejadores, engenheiros de performance e analistas de dados disponíveis, em vez de competir também em orçamento de construção naval — um modelo de negócio que reduz a barreira de entrada para novas nações, como foi o caso do próprio Brasil ao ingressar no grid.
A meta de sustentabilidade do campeonato
Desde a criação, o SailGP adota metas declaradas de sustentabilidade ambiental como parte central da própria identidade da competição — não apenas como ação de marketing paralela. Além da meta de neutralidade de carbono na operação do campeonato, a organização promove iniciativas de purificação e proteção dos oceanos nas cidades-sede de cada etapa, buscando deixar um legado ambiental local além do espetáculo esportivo do fim de semana de regatas — um posicionamento que também ajuda a atrair patrocinadores alinhados com pautas ambientais, cada vez mais relevantes na hora de fechar parcerias com marcas globais.