O SailGP anunciou, no dia 15 de julho, um plano estratégico de cinco anos que promete redesenhar o futuro do campeonato de vela mais veloz do mundo. Em declaração divulgada às vésperas da etapa de Portsmouth, o CEO e cofundador da liga, Sir Russell Coutts, detalhou a visão da SailGP para 2030: mais equipes, mais etapas e uma presença global ainda maior, com o objetivo declarado de transformar a competição em uma das principais propriedades esportivas e de entretenimento do planeta até o fim da década. Segundo Coutts, a liga está entrando numa “nova era”, depois de gastar seus primeiros cinco anos construindo as bases do campeonato.
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De 13 para 20 equipes e 20 etapas por temporada
O número mais concreto do plano é o salto na escala do campeonato: a SailGP quer passar das atuais 13 seleções nacionais disputando 13 etapas por temporada para 20 equipes competindo em 20 eventos anuais até 2030 — um crescimento de mais de 50% tanto no número de países representados quanto na quantidade de corridas ao longo do ano. Esse tipo de expansão exige também investimento em logística: o plano prevê a construção de um navio de logística próprio, dedicado exclusivamente a transportar os catamarãs F50 e o equipamento das equipes entre os continentes, reduzindo a dependência de fretes terceirizados entre etapas.
Outro pilar do projeto é a formação de nova geração de velejadores: a SailGP anunciou a criação de uma base de treinamento em Pensacola, na Flórida, com um caminho estruturado (pathway) para jovens atletas que queiram chegar ao circuito profissional — um movimento parecido com o que outras modalidades olímpicas já fazem há anos para garantir renovação de talentos.
Um plano de cinco anos para crescer
Segundo Coutts, a ideia central do projeto é ampliar de forma consistente tanto o número de equipes nacionais quanto a quantidade de etapas disputadas a cada temporada. A SailGP já se consolidou como um dos circuitos de vela mais assistidos do mundo, reunindo seleções em corridas de catamarãs voadores F50 dentro do formato batizado de “estádios costeiros” — provas disputadas próximas à costa, em frente a arquibancadas lotadas, que permitem ao público acompanhar de perto a velocidade e a tecnologia dos barcos.
Esse modelo, que já rendeu à liga etapas emblemáticas em praças como Sydney, Nova Zelândia, Halifax e a badalada parada carioca na Baía de Guanabara, deve ser mantido como identidade central da marca SailGP mesmo com o crescimento previsto no número de eventos anuais.
Novos mercados no radar
Um dos pontos mais comentados do anúncio é a intenção da SailGP de desembarcar em mercados ainda não explorados pelo calendário oficial. China, Japão, Índia, México e Coreia do Sul aparecem como destinos estratégicos no plano de expansão até 2030. A entrada nesses países representaria um salto significativo na presença global da liga, hoje concentrada principalmente em praças da Europa, Oceania, América do Norte e, mais recentemente, América do Sul, com o Brasil já integrando o calendário por meio da etapa do Rio de Janeiro.
Para uma competição que nasceu com a proposta de ser acessível e visualmente atraente até para quem não acompanha vela tradicionalmente, a chegada a esses novos territórios também é vista como uma forma de acelerar a popularização do esporte fora do eixo já consolidado de fãs náuticos.
Audiência em ascensão, e a meta de 5 milhões de fãs cadastrados
Os números de audiência recente ajudam a explicar o otimismo da diretoria da SailGP em relação ao futuro. Em 2025, a liga registrou 215 milhões de espectadores em transmissões dedicadas ao redor do mundo — uma marca expressiva para um esporte que, até poucos anos atrás, ocupava um espaço relativamente nichado na mídia esportiva global.
Com base nesse crescimento, a projeção da SailGP para 2030 é ambiciosa: superar a marca de 30 milhões de telespectadores por evento individual, além de ampliar para 5 milhões o número de fãs cadastrados na base de dados própria da liga e atrair cerca de 250 mil espectadores presenciais por temporada, somando o público de todas as etapas. Caso o objetivo se confirme, o campeonato passaria a rivalizar em alcance com algumas das maiores competições esportivas do calendário internacional, reforçando o discurso de Coutts de que a vela de alta performance pode, sim, ocupar um espaço de destaque ao lado de modalidades tradicionalmente mais populares.
Portsmouth como próximo palco
O anúncio do plano para 2030 chegou em um momento estratégico para a SailGP: faltando poucos dias para a etapa britânica de Portsmouth, nos dias 25 e 26 de julho, que reuniu as equipes na costa sul da Inglaterra em mais uma disputa direta pelo topo da classificação geral da temporada. A escolha do momento não parece casual — ao vincular o anúncio de longo prazo a uma etapa de grande apelo popular, a liga reforçou a mensagem de que o crescimento projetado para os próximos anos caminha lado a lado com o calendário competitivo já em curso.
O que esperar daqui para frente
Se os planos anunciados por Coutts se confirmarem, a próxima década deve trazer mudanças profundas para o formato que revolucionou a vela profissional nos últimos anos. Mais equipes, mais etapas, novos continentes no calendário, um navio de logística próprio, uma base de formação de jovens talentos em Pensacola e uma audiência em rota de expansão apontam para uma SailGP ainda mais ambiciosa. Para fãs do esporte náutico ao redor do mundo, inclusive no Brasil — que já tem etapa fixa no calendário e pode se beneficiar diretamente da expansão para mais eventos por temporada —, a perspectiva agora é acompanhar de perto essa transformação, etapa após etapa, rumo a 2030.
Sir Russell Coutts, o velejador que virou executivo da liga
Russell Coutts, neozelandês nascido em 1962, é uma das figuras mais decoradas da história da vela: venceu a Copa América em cinco ocasiões diferentes, como timoneiro ou membro de equipes vencedoras, antes de migrar para o lado executivo do esporte e fundar o SailGP em 2018, ao lado do bilionário americano Larry Ellison, cofundador da Oracle. A experiência de Coutts como competidor de alto nível é frequentemente citada como um dos motivos do sucesso do formato: as decisões de regulamento e calendário da liga costumam ser tomadas por alguém que já viveu na prática os desafios que está tentando resolver para as equipes atuais.
Larry Ellison e o investimento por trás da expansão
Parte do otimismo em torno do plano para 2030 vem do apoio financeiro consistente de Larry Ellison, que segue como um dos principais investidores da liga desde sua fundação. Esse suporte de capital de longo prazo é visto como diferencial competitivo do SailGP frente a outras iniciativas de vela profissional que, historicamente, enfrentaram dificuldade para manter patrocínio e investimento estável ano após ano — um dos motivos, segundo analistas do setor esportivo, de tantas ligas de vela anteriores não terem conseguido se sustentar no longo prazo.
A liga debutou em 2019 com apenas seis equipes disputando barcos idênticos, e o salto para 20 seleções e 20 etapas até 2030 representaria mais que o triplo do tamanho original do campeonato em pouco mais de uma década de existência.
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