O Grupo Azimut/Benetti anunciou investimento de R$ 120 milhões, a ser aplicado até 2028, para ampliar sua fábrica em Itajaí, em Santa Catarina — a única unidade do grupo italiano fora da Europa. O plano prevê a adição de 27 mil metros quadrados à planta, que vai passar dos atuais 38 mil para 65 mil metros quadrados de área construída, tornando-se o maior estaleiro do Brasil e reforçando o polo naval catarinense como referência nacional na produção de embarcações de grande porte.
Foto: Diarinho
Onde vai o dinheiro do investimento
Segundo o próprio grupo, os recursos serão direcionados para tecnologia, desenvolvimento de novos produtos e infraestrutura da planta catarinense. A expansão física deve viabilizar a fabricação de embarcações maiores, incluindo um novo modelo de superiate de 30 metros com lançamento previsto ainda para 2026 — um salto de porte em relação ao que a unidade brasileira vinha produzindo até aqui.
Empregos e faturamento: os números por trás do anúncio
Com a ampliação, a Azimut/Benetti estima empregar até 800 pessoas apenas na unidade brasileira, considerando postos diretos gerados pela maior capacidade produtiva. Em termos financeiros, a expectativa do grupo é de um incremento de até R$ 300 milhões em receita local, o que deve levar o faturamento da operação brasileira à faixa de R$ 1 bilhão — um salto expressivo que reposiciona Itajaí no radar estratégico da companhia italiana, historicamente concentrada na Europa.
O que está por trás do investimento
A expansão da Azimut/Benetti acontece em um momento de crescimento consistente do mercado náutico brasileiro, puxado tanto pela demanda doméstica de embarcações de luxo quanto pela exportação de iates fabricados no país para outros mercados. Itajaí já concentra parte relevante da indústria naval de grande porte no Brasil, e o novo investimento deve consolidar ainda mais a cidade catarinense como centro nacional de produção de superiates.
A ampliação da área fabril costuma vir acompanhada de aumento na capacidade produtiva e geração de empregos diretos e indiretos na região — um movimento que tende a fortalecer toda a cadeia de fornecedores locais ligada à indústria náutica, de estofados a sistemas eletrônicos embarcados, passando por marcenaria naval especializada e serviços de acabamento de alto padrão.
Brasil como polo emergente da indústria naval de luxo
O investimento da Azimut/Benetti não é um caso isolado: outros projetos recentes também reforçam o movimento de expansão da indústria naval brasileira, incluindo a construção do maior iate já fabricado no país, orçado em R$ 90 milhões, também em Itajaí, cuja obra teve início em julho de 2026. Esse tipo de empreendimento coloca o Brasil em posição cada vez mais relevante no mapa mundial de construção de embarcações de grande porte, historicamente dominado por países como Itália e Holanda — nações que concentram, juntas, boa parte da produção mundial de superiates havia décadas.
Para o mercado náutico brasileiro, a chegada de investimentos desse porte sinaliza confiança no crescimento contínuo da demanda por embarcações de luxo no país, tanto entre compradores domésticos quanto entre clientes internacionais que buscam produção com custo mais competitivo sem abrir mão de qualidade — fator que já vem atraindo outras fabricantes internacionais a considerar o polo catarinense como alternativa às plantas europeias, mais caras em termos de mão de obra.
Também chega novidade para quem busca embarcações menores
Enquanto o segmento de superiates recebe investimento pesado, o mercado de motos aquáticas também se movimenta: a Sea-Doo apresentou sua linha 2026 com destaque tecnológico para telas touchscreen de 10,25 polegadas em modelos como o RXT-X 325 e o RXP-X 325, além de sistema inteligente de limpeza automática de detritos na entrada de água — recurso que facilita a manutenção do equipamento sem precisar sair do assento. É um contraste interessante dentro do próprio mercado náutico brasileiro: enquanto um extremo do setor investe centenas de milhões em superiates de dezenas de metros, o outro aposta em tecnologia embarcada para equipamentos de lazer de entrada, mostrando como a indústria náutica nacional cresce em várias frentes ao mesmo tempo.
Para quem navega: acessório que faz diferença a bordo
Independente do porte da embarcação, um item que segue essencial para quem navega com regularidade é um bom binóculo náutico. O Floatmaster, binóculo de marinheiro flutuante, é desenvolvido especificamente para uso a bordo: caso caia na água, flutua na superfície em vez de afundar — detalhe que faz toda diferença para quem passa temporadas embarcado e depende do equipamento para navegação segura e observação a distância.
O que observar
A conclusão da ampliação do estaleiro da Azimut/Benetti em Itajaí deve ser acompanhada nos próximos meses, assim como o volume de novas encomendas que a maior capacidade produtiva deve viabilizar. Para o setor náutico brasileiro como um todo, o movimento reforça a leitura de que o país segue atraindo investimento relevante mesmo em um segmento de alto padrão historicamente concentrado na Europa — uma tendência que, somada a outros projetos em curso na mesma região de Santa Catarina, pode consolidar de vez o litoral catarinense como o principal polo de construção naval de luxo da América do Sul nos próximos anos.
Itajaí, o polo naval catarinense
A cidade de Itajaí concentra hoje uma das maiores densidades de indústria naval do Brasil, reunindo desde estaleiros voltados à construção de embarcações de pesca e apoio portuário até fabricantes de iates e superiates de padrão internacional. A proximidade com o Porto de Itajaí e Porto de Navegantes, dois dos mais movimentados do país, facilita a logística de importação de componentes e a exportação de embarcações prontas — fator que pesa na decisão de estaleiros internacionais ao escolher onde instalar operações fora de seus países de origem.
O que diferencia a Azimut/Benetti das demais fabricantes instaladas no Brasil
Enquanto outros grupos internacionais optam por representações comerciais ou montagem parcial no Brasil, a Azimut/Benetti mantém em Itajaí uma unidade de produção integral, o que significa maior controle de qualidade e possibilidade de customização das embarcações de acordo com o gosto do comprador brasileiro — prática cada vez mais comum entre fabricantes que reconhecem as diferenças de uso entre o consumidor local e o europeu, como já mostrou o próprio caso da Ferretti com o modelo 850R desenvolvido em parceria com o Grupo OKEAN, também catarinense.
Emprego qualificado e formação de mão de obra
A geração de até 800 empregos diretos na unidade catarinense da Azimut/Benetti também pressiona a demanda por mão de obra qualificada em funções específicas da indústria naval, como laminação em fibra de vidro, marcenaria naval, instalação de sistemas elétricos e hidráulicos embarcados, e acabamento fino de interiores de alto padrão. Esse tipo de expansão costuma vir acompanhada de parcerias com institutos técnicos e escolas profissionalizantes da região, que passam a oferecer cursos voltados especificamente para as necessidades desse setor — um efeito indireto do investimento que tende a beneficiar a economia local além dos números diretos de faturamento anunciados pela empresa.
Para o setor náutico como um todo, cada novo posto de trabalho qualificado formado nesse processo tende a permanecer disponível no mercado local mesmo além do ciclo de expansão de uma única fábrica, alimentando outros estaleiros e fornecedores da região ao longo dos anos seguintes.
É esse tipo de efeito cascata, e não apenas o valor do investimento anunciado, que costuma determinar o real impacto de longo prazo desse tipo de expansão industrial numa cidade do porte de Itajaí.