Mubadala Brazil SailGP Team, comandado por Martine Grael, ajusta equipe para 2026

O Mubadala Brazil SailGP Team, comandado por Martine Grael, promoveu ajustes na tripulação para a temporada 2026 do SailGP, o circuito mundial de vela mais veloz do planeta, disputado em catamarãs F50 que ultrapassam os 100 km/h sobre a água.

Foto: Divulgação Mubadala Brazil SailGP Team

Martine Grael, a primeira mulher a comandar uma equipe no SailGP

Martine Grael segue como driver e líder da equipe brasileira, posição que a torna a primeira mulher a capitanear uma equipe na história do SailGP, competição que reúne 13 seleções nacionais em um formato de corridas curtas e extremamente técnicas. Bicampeã olímpica na vela (Rio 2016 e Tóquio 2020), Martine assumiu o comando do Mubadala Brazil desde a criação da equipe, no início da temporada 2025 — a primeira equipe sul-americana a disputar o Rolex SailGP Championship. A equipe conta ainda com os brasileiros Marco Grael e Mateus Isaac, além de Breno Kneipp, todos atuando como grinders — função responsável por gerar a energia hidráulica que movimenta os sistemas de foil e de controle das velas durante a regata.

Completam a tripulação o dinamarquês Rasmus Kostner, na função de flight controller, responsável por manter o barco estável sobre os foils em alta velocidade, e o italiano Pietro Sibello, como wing trimmer, encarregado de ajustar a asa rígida que substitui a vela tradicional nos F50.

Uma primeira temporada e meia de aprendizado

Desde a entrada no grid, em 2025, o Mubadala Brazil vem construindo sua curva de aprendizado dentro de um campeonato que reúne equipes com décadas de tradição na vela oceânica. A equipe já celebrou a própria primeira vitória de uma regata do SailGP no início da temporada 2026 — marco simbólico para um time recém-formado, competindo contra seleções como Austrália, Grã-Bretanha e Nova Zelândia, que dominam o circuito desde suas primeiras edições.

O momento mais emblemático da temporada até aqui, porém, foi amargo: na etapa histórica do Rio de Janeiro — a primeira do SailGP disputada em solo brasileiro, em abril de 2026, dez anos depois de Martine Grael conquistar o ouro olímpico justamente na Baía de Guanabara —, um problema técnico impediu o F50 brasileiro de chegar à largada das duas primeiras regatas do evento. Diante de milhares de torcedores que se reuniram para ver a equipe da casa competir, o time precisou se reorganizar sob pressão para conseguir entrar na água ainda durante o próprio evento — um episódio que a própria organização do SailGP usou depois como estudo de caso de resiliência dentro do paddock.

Por que os ajustes de tripulação acontecem entre temporadas

No SailGP, cada equipe nacional tem liberdade para ajustar sua formação entre temporadas, buscando o equilíbrio ideal entre experiência técnica, entrosamento e peso corporal da tripulação — fator que influencia diretamente o desempenho do F50 em diferentes condições de vento. Mudanças como essas costumam ser anunciadas no início de cada temporada, refletindo tanto avaliações de desempenho da temporada anterior quanto disponibilidade de atletas que competem simultaneamente em outras modalidades olímpicas de vela, já que boa parte dos velejadores do grid do SailGP também disputa Copa América, Vendée Globe e outras categorias de alto rendimento em paralelo.

Para o Brasil, manter uma base sólida de velejadores nacionais na tripulação — caso de Martine Grael, Marco Grael e Mateus Isaac, três nomes com histórico de medalhas olímpicas e mundiais na vela — também cumpre um papel estratégico de desenvolvimento da modalidade no país, criando referência para uma nova geração de velejadores interessados no formato de alta performance do SailGP, historicamente pouco praticado em escolas de vela brasileiras fora do eixo olímpico tradicional.

O calendário da equipe brasileira em agosto

Depois da etapa de Portsmouth, no Reino Unido, disputada no fim de julho, a próxima parada do circuito mundial é em Sassnitz, na Alemanha, nos dias 22 e 23 de agosto — nona etapa da temporada 2026 do Rolex SailGP Championship, disputada num trecho de mar do Báltico conhecido por condições de vento fortes e imprevisíveis, bem diferentes das águas mais calmas do Rio de Janeiro. O calendário segue ainda para Valência, na Espanha, em setembro, e Saint-Tropez, na França, também no mesmo mês, em uma temporada que deve levar o circuito a diferentes continentes antes da grande final, marcada para novembro em Dubai e Abu Dhabi.

O que observar

Com a tripulação definida para a nova temporada, a expectativa em torno do Mubadala Brazil SailGP Team é de evolução gradual de resultados ao longo das próximas etapas, com Sassnitz sendo o próximo grande teste para a equipe comandada por Martine Grael. Torcedores brasileiros da vela de alta performance devem acompanhar de perto o desempenho da equipe nas próximas semanas, especialmente em condições de vento mais desafiadoras, típicas do circuito europeu do SailGP — um ambiente bem diferente daquele em que a equipe cresceu, e que deve funcionar como um termômetro real da evolução técnica do time brasileiro frente a adversários muito mais experientes no formato.

Como funciona a hidráulica que move o F50

Os grinders — função exercida pelos brasileiros Marco Grael, Mateus Isaac e Breno Kneipp na equipe — trabalham em bombas manuais que geram a pressão hidráulica necessária para operar os sistemas de controle do barco, incluindo o ajuste dos foils e da asa rígida. É um trabalho físico intenso, muitas vezes comparado ao esforço de um remador de elite: a cada regata, os grinders pedalam ou giram manivelas continuamente para manter os reservatórios hidráulicos abastecidos, já que os F50 não usam motores elétricos ou a combustão para essa função, apenas a força humana da tripulação. Esse é um dos motivos pelos quais o peso corporal e o condicionamento físico da equipe são fatores tão relevantes na composição de cada tripulação nacional.

Flight controller e wing trimmer: as posições mais técnicas do barco

O trabalho do flight controller, ocupado no Mubadala Brazil pelo dinamarquês Rasmus Kostner, é considerado um dos mais técnicos do SailGP: ele controla a altura dos foils em tempo real, ajustando a posição das hidrofólias para manter o F50 estável mesmo em ondas e rajadas de vento — um equilíbrio delicado, já que um ajuste incorreto pode fazer o barco “cair” da posição de voo e perder velocidade abruptamente, ou até sofrer um capotamento em situações mais extremas. Já o wing trimmer, papel do italiano Pietro Sibello, é responsável por controlar o ângulo da asa rígida que substitui a vela tradicional, otimizando a captação de vento a cada trecho da regata — uma função equivalente à de um trimmer de vela num barco convencional, mas com decisões tomadas em fração de segundo, dada a velocidade do F50.

Um calendário de aprendizado intenso

Para uma equipe que entrou no grid apenas em 2025, encarar em sequência etapas em condições de vento tão distintas — do Rio de Janeiro tropical ao Báltico gelado de Sassnitz — funciona como um acelerador de curva de aprendizado. Equipes tradicionais do SailGP, como Austrália e Grã-Bretanha, acumulam anos de dados de configuração para cada tipo de condição, enquanto o Mubadala Brazil ainda está construindo esse banco de conhecimento técnico etapa após etapa, o que ajuda a explicar por que os resultados da equipe brasileira ainda variam bastante de um evento para outro.

Ainda assim, cada etapa disputada soma experiência valiosa para a equipe brasileira, que segue na curva ascendente de aprendizado dentro de um dos campeonatos mais tecnicamente exigentes do esporte à vela mundial.

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