Kawasaki lança quatro novos jet skis da linha STX 160 e Yamaha estreia categoria inédita com o CrossWave

Kawasaki STX 160X, um dos quatro novos modelos da linha 2026
Foto: Divulgacao Kawasaki

O mercado de motos aquáticas viveu semanas de peso pesado. De um lado, a Kawasaki apresentou ao mundo a nova geração da sua linha STX 160, com quatro modelos inéditos que chegam recheados de tecnologia. Do outro, a Yamaha escolheu o ano em que a WaveRunner completa 40 anos de história para revelar o CrossWave, um modelo que a própria fabricante japonesa define como o início de uma categoria inteiramente nova dentro do segmento de jet skis. As duas novidades reforçam a disputa cada vez mais acirrada entre as grandes marcas do setor náutico por um público que busca mais tecnologia, conforto e versatilidade dentro d’água.

Kawasaki renova a família STX 160 com quatro modelos

A Kawasaki anunciou globalmente, em 24 de julho, a renovação completa da linha STX 160, que chega ao mercado em quatro versões distintas: o STX 160X, posicionado como a entrada premium da família; o STX 160LX-S, focado em estilo e versatilidade para o dia a dia na água; o STX 160LX, com acabamento e equipamentos de perfil mais luxuoso; e o STX 160R, que carrega o “DNA de corrida” da marca e é voltado para quem busca desempenho mais esportivo. Todos os quatro modelos utilizam o mesmo conjunto mecânico: um motor de 1.498 cm³ com quatro cilindros em linha, derivado da família de motores da linha Ninja de motocicletas da Kawasaki, entregando 160 cavalos de potência.

Entre os destaques tecnológicos da nova geração está o painel de instrumentos digital TFT de 7 polegadas, que centraliza as informações de navegação e desempenho para o piloto. A linha também estreia o sistema KSRD, voltado para manobras mais precisas e seguras em baixa velocidade, além de câmera de ré com iluminação em LED para facilitar o estacionamento e a atracação. Para quem gosta de som a bordo, a novidade é o sistema de áudio JETSOUND 4S, com conectividade Bluetooth integrada. A pilotagem também recebeu atenção: o guidão passou a ser ajustável em um estilo que remete às motocicletas motocross, e a linha ganhou o chamado modo SLO, pensado especificamente para facilitar o aprendizado de pilotos iniciantes, limitando a resposta do acelerador durante a fase de adaptação.

Vale lembrar que a linha Ultra 310, com motor sobrealimentado (supercharged), continua sendo o topo de gama da Kawasaki no segmento de motos aquáticas e também recebeu atualizações, mas sem perder o posto de modelo mais potente do catálogo da marca. A expectativa do mercado náutico brasileiro é que ao menos parte da nova linha STX 160 chegue ao país nos próximos meses, seguindo o padrão de lançamentos globais anteriores da Kawasaki.

Yamaha reinventa o conceito de jet ski com o CrossWave

Enquanto a Kawasaki renovava sua linha de entrada e intermediária, a Yamaha decidiu marcar os 40 anos da WaveRunner, criada originalmente em 1986, com uma estreia de peso: o CrossWave, um modelo que a marca apresenta como o ponto de partida de uma categoria totalmente nova dentro do universo das motos aquáticas. Bryan Seti, diretor-geral da Yamaha WaterCraft, resumiu o lançamento como “o início de uma categoria inteiramente nova”, e as especificações do modelo ajudam a entender o motivo da declaração.

O CrossWave chega com cerca de 4 metros de comprimento e 1,65 metro de largura, o que o torna aproximadamente 60 centímetros mais longo e 45 centímetros mais largo do que os modelos da linha FX, até então os maiores do catálogo da Yamaha. Esse ganho de tamanho serve a um propósito claro: o modelo foi projetado desde o início para uso em família, com capacidade para até quatro ocupantes, sendo que o terceiro e o quarto assentos podem ser removidos para ampliar o espaço de convés quando necessário.

A grande novidade de design é o que a Yamaha chama de primeiro deck completo em estilo “walk-around” da indústria: quase 4 metros de espaço plano, com acabamento em carpete náutico do bico à popa, permitindo caminhar por toda a embarcação com liberdade de movimento em 360 graus, além de um sistema de drenagem para os pés. O motor também impressiona: com 1.898 cilindradas, é o maior propulsor já usado em uma moto aquática de uso pessoal no mercado, aliando alto desempenho a eficiência de combustível, com tanque de 100 litros de capacidade.

A lista de recursos ainda inclui uma porta de limpeza patenteada, que permite higienizar a turbina sem que o piloto precise entrar na água; compartimento de armazenamento com 311 litros distribuídos em diferentes áreas da embarcação; cooler integrado com capacidade para 52 litros; duas telas touchscreen de 7 polegadas com sistemas Connext e Simrad; e um sistema modular de trilhos T-track para instalação de acessórios. A Yamaha prevê que o CrossWave chegue às concessionárias no primeiro semestre de 2026, mas ainda não revelou o preço sugerido do modelo.

Yamaha CrossWave 2026, modelo que inaugura categoria inédita da linha WaveRunner
Foto: Divulgação Yamaha

O que as novidades sinalizam para o mercado náutico

Os dois lançamentos, ainda que bem diferentes entre si, apontam para uma mesma direção: as fabricantes de motos aquáticas estão investindo pesado em tecnologia embarcada, conforto e recursos voltados para o uso em família, e não apenas em desempenho puro. A Kawasaki aposta em atualizar uma linha já consolidada, tornando-a mais acessível em tecnologia com o painel digital, o áudio Bluetooth e o modo para iniciantes, ao mesmo tempo em que preserva a linha Ultra 310 para o público que busca potência máxima. Já a Yamaha decide abrir uma frente inteiramente nova de mercado com o CrossWave, apostando em um formato maior, mais versátil e pensado para receber mais pessoas a bordo com conforto.

Para o consumidor brasileiro, a expectativa agora é acompanhar os próximos passos das duas marcas no mercado nacional, incluindo eventuais versões que cheguem por aqui e a definição de preços. Enquanto isso, a movimentação recente reforça algo que já vinha se desenhando nos últimos anos: o jet ski deixou de ser apenas um brinquedo de alta velocidade e vem se consolidando também como uma opção de lazer náutico para toda a família, com equipamentos cada vez mais sofisticados por trás do visual esportivo.

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