A equipe australiana BONDS Flying Roos segue na liderança da temporada 2026 do SailGP, mantendo o status de força dominante do circuito depois de conquistar os últimos três títulos consecutivos do Rolex SailGP Championship (2019, 2021-22 e 2023-24). Com Tom Slingsby no comando e o retorno do medalhista olímpico Iain “Goobs” Jensen como wing trimmer — sua primeira temporada de volta à seleção australiana depois de quase uma década afastado, desde os Jogos Olímpicos do Rio em 2016 —, o time chega embalado para a reta final do ano.
Foto: Brett Phibbs/SailGP
Jensen chega badalado, substituindo Chris Draper
A contratação de Iain Jensen não é um detalhe qualquer: o velejador chegou à Austrália direto de uma conquista milionária, depois de vencer a Grande Final de 2 milhões de dólares em Abu Dhabi ainda pela Grã-Bretanha, na temporada anterior. Jensen assumiu a posição de wing trimmer no lugar de Chris Draper, que deixou a equipe, e vem sendo apontado pela imprensa especializada australiana como uma peça a mais que reforça um elenco que já era, sozinho, o mais vitorioso da história do campeonato.
A próxima parada é a Alemanha
A próxima parada do calendário é a etapa da Alemanha, em Sassnitz, marcada para os dias 22 e 23 de agosto — cerca de duas semanas a partir de agora. O intervalo entre etapas costuma ser usado pelas equipes para ajustes finos de configuração dos F50, os catamarãs voadores que disputam o campeonato, além de análise de dados coletados nas etapas anteriores da temporada.
Uma temporada de vitórias recorrentes
A Austrália chega à etapa alemã reforçando uma tradição de sucesso construída ao longo de toda a temporada 2026. O time venceu o evento de Auckland, na Nova Zelândia, em fevereiro, garantindo a segunda vitória seguida do time na região; depois, em abril, os Flying Roos conquistaram a etapa inaugural do Rio de Janeiro, primeira edição do SailGP em solo brasileiro, resultado que colocou a Austrália no topo da classificação geral após um fim de semana de tropeços da Emirates GBR (Grã-Bretanha). Em maio, o time voltou a vencer em Bermuda, superando Los Gallos (Espanha) e a equipe alemã Deutsche Bank numa final tensa — a segunda vitória consecutiva dos australianos, que abriu uma vantagem de dez pontos na tabela depois de cinco etapas disputadas.
Vale registrar que a temporada 2026 não começou com vitória australiana: o evento de abertura, em Perth, em janeiro, terminou com a Suécia (Artemis) na liderança da classificação, e a etapa de Sydney, disputada no fim de fevereiro e início de março, teve os Estados Unidos na ponta, com a Grã-Bretanha em segundo e a Espanha em terceiro. Foi só a partir de Auckland que a Austrália engatou a sequência de resultados que a consolidou como favorita ao tetracampeonato.
O que são os F50 e por que o SailGP é tão rápido
O SailGP é conhecido por reunir os catamarãs mais rápidos do mundo em regatas de circuito fechado, geralmente disputadas próximas à costa, o que garante grande visibilidade para o público presente e para as transmissões de TV. Os F50 são embarcações foiling, ou seja, capazes de “voar” sobre a água apoiadas em pequenas hidrofólias que erguem o casco e reduzem o atrito com a água, atingindo velocidades que já superaram os 107 km/h em condições ideais de vento — mais de três vezes a velocidade do próprio vento em determinadas situações, graças à física do foil.
A concorrência tenta reagir
Para as equipes concorrentes, a briga pelo título de 2026 passa necessariamente por encontrar uma forma de neutralizar a hegemonia australiana, algo que equipes como Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Espanha vêm tentando ano após ano, com vitórias pontuais em etapas isoladas — como os próprios triunfos de Los Gallos em Halifax e Portsmouth, já na metade final da temporada —, mas sem conseguir sustentar a consistência que os Flying Roos têm demonstrado ao longo de temporadas inteiras. Diego Botín e a tripulação espanhola, aliás, são hoje apontados como os principais candidatos a romper esse domínio, tendo encurtado a distância na tabela para 12 pontos depois da sequência de vitórias em julho.
O crescimento do SailGP no Brasil
Com a etapa de Sassnitz se aproximando, a expectativa é de que o cenário de liderança australiana continue sendo testado pelas demais equipes do grid, num circuito que segue ganhando cada vez mais força junto ao público brasileiro, à medida que o SailGP consolida sua presença também em etapas realizadas na América do Sul — o Rio de Janeiro, disputado em abril de 2026, foi a primeira etapa do campeonato realizada em solo brasileiro, um marco para a modalidade no país e uma janela de visibilidade inédita para o público local acompanhar de perto o nível técnico do circuito.
Fique de olho no calendário: depois de Sassnitz, o campeonato segue para etapas em Valência (Espanha) e Genebra (Suíça) em setembro, antes da grande decisão de 2026, marcada para Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro — com a Austrália na condição de principal favorita ao tetracampeonato do circuito.
O histórico de Tom Slingsby e o tricampeonato australiano
Tom Slingsby não é apenas o driver da equipe australiana — ele também acumula a função de CEO do time, um formato de gestão pouco comum no esporte de alto rendimento em que o próprio atleta principal também responde pelas decisões estratégicas e comerciais da operação. Sob seu comando, a Austrália venceu os três primeiros títulos disputados no formato atual do Rolex SailGP Championship (2019, 2021-22 e 2023-24), consolidando um dos períodos de domínio mais expressivos já vistos numa modalidade que reúne apenas as principais nações do mundo na vela de alto rendimento. Mesmo com o resultado abaixo do esperado em Portsmouth, essa trajetória recente segue pesando a favor da Austrália como favorita ao título de 2026.
Los Gallos: a ascensão espanhola no SailGP
A equipe espanhola Los Gallos, comandada por Diego Botín, tem se destacado como a principal concorrente da hegemonia australiana justamente por combinar consistência técnica com boa leitura tática em condições de vento variáveis — características que os dois triunfos seguidos em Halifax e Portsmouth deixaram evidentes. Botín, nascido em Santander, cresceu numa família com forte tradição na vela: o pai, Gonzalo Botín Naveda, é velejador amador que o levou a embarcar ainda antes dos 10 anos de idade, e o tio, Marcelino Botín, é um dos designers navais mais respeitados do mundo, hoje ligado à equipe Alinghi Red Bull Racing na Copa América — uma bagagem familiar que ajuda a explicar a solidez técnica que Diego vem demonstrando nas etapas mais recentes da temporada 2026, incluindo a conquista do título do SailGP em 2024.
A briga pelas vagas do playoff se estende para além do topo
Enquanto Austrália, Espanha e Suécia disputam as primeiras posições, equipes como Estados Unidos, Grã-Bretanha e Nova Zelândia seguem na briga pelas vagas intermediárias que também podem levar a etapas de playoff em determinados formatos de temporada do SailGP. Essa disputa paralela costuma ficar em segundo plano na cobertura, mas tem peso real no resultado final da temporada, já que o sistema de pontuação do campeonato valoriza a consistência ao longo de todas as etapas, não apenas os resultados isolados de cada Grande Prêmio.