A corrida mais antiga do esporte
A America’s Cup é não apenas o mais antigo troféu do esporte a vela, mas o mais antigo troféu esportivo internacional ainda em disputa no mundo — mais antigo que as Olimpíadas modernas. A primeira edição aconteceu em 1851, quando o iate americano “America” derrotou a frota britânica ao redor da Ilha de Wight, na Inglaterra, dando origem ao nome do troféu, o “America’s Cup”.
Regras únicas: um torneio diferente de todos
A America’s Cup funciona de forma radicalmente diferente de qualquer outro campeonato. Não é uma liga com temporada regular, como o SailGP. É um desafio bilateral: o vencedor atual (o “Defender”) define parte das regras da próxima edição e espera pelo desafiante mais forte que surgir nas eliminatórias, disputadas na Louis Vuitton Cup (a série de challengers).
O Challenger vence as eliminatórias e enfrenta o Defender em uma série de match races — o primeiro a vencer um número definido de corridas leva o troféu para casa, junto com o direito de organizar e definir as regras da edição seguinte.
A revolução do foiling
A America’s Cup é o laboratório máximo da tecnologia náutica. Foi nas edições recentes que o foiling — barcos que voam sobre a água apoiados em apêndices submersos — foi levado ao extremo. Desde 2013, quando os catamarãs AC72 voadores apareceram em San Francisco, cada edição superou a anterior em velocidade e sofisticação tecnológica.
As embarcações atuais da America’s Cup, os AC75, são monocascos foiling praticamente equivalentes a aeronaves marítimas, atingindo velocidades acima de 100 km/h e exigindo equipamentos de segurança dignos de esportes de motor, incluindo sistemas de respiração de emergência para os velejadores em caso de capotamento.
Barcelona 2024: a edição mais recente
A 37ª edição da America’s Cup foi disputada em Barcelona, na Espanha, em outubro de 2024. A Emirates Team New Zealand derrotou o desafiante britânico INEOS Britannia por 7 a 2 na série final, conquistando seu terceiro título consecutivo e se tornando a primeira equipe da era moderna da competição a vencer três edições seguidas. Como Defender, a equipe neozelandesa agora se prepara para defender o troféu na 38ª edição, marcada para acontecer em Nápoles, na Itália, em 2027 — a primeira vez que a competição vai à Itália.
Por que a America’s Cup ainda fascina
Parte do fascínio está na escala dos projetos: cada equipe investe centenas de milhões de dólares em engenharia, design e treinamento, com equipes de aerodinamicistas, engenheiros navais e cientistas de dados trabalhando lado a lado com os velejadores. A competição atrai os melhores velejadores do mundo e as mentes mais brilhantes da engenharia naval. É onde os limites são redefinidos a cada ciclo — e muitas das tecnologias testadas na America’s Cup, do foiling aos materiais compósitos, acabam migrando para outros campeonatos, incluindo o próprio SailGP, e mesmo para a indústria de iates de luxo.
America’s Cup e SailGP: qual a diferença?
Uma dúvida comum entre novos fãs de vela é a diferença entre os dois campeonatos. Enquanto o SailGP é uma liga anual com barcos idênticos (os F50) e um calendário fixo de etapas, a America’s Cup é um desafio esporádico, disputado a cada poucos anos, com cada equipe projetando e construindo seu próprio barco dentro de um conjunto de regras técnicas — o que torna a competição tanto uma corrida de vela quanto uma corrida de engenharia.
Náutica BR — cobertura editorial independente de campeonatos de vela.