The Ocean Race: a volta ao mundo a vela mais radical já feita

O que é The Ocean Race?

The Ocean Race é uma das competições náuticas mais extremas do planeta: uma volta ao mundo a vela por equipes, com paradas em portos estratégicos ao redor do globo. Conhecida anteriormente como “Whitbread Round the World Race” e depois “Volvo Ocean Race”, a competição existe desde 1973, o que a torna uma das provas de resistência mais antigas do esporte a vela mundial.

O percurso

Cada edição da Ocean Race define um roteiro diferente, mas sempre inclui algumas das águas mais traiçoeiras do planeta: o Atlântico Sul, o Índico, o Pacífico Sul e o temível Cabo Horn. As equipes navegam dezenas de milhares de milhas náuticas ao longo de meses, enfrentando tempestades, frio extremo, isolamento e exaustão física e mental.

Os barcos

Nas edições mais recentes, a Ocean Race adotou os IMOCA 60, monocascos foiling de 60 pés que também disputam o Vendée Globe, a icônica volta ao mundo solitária e sem escalas. Em edições anteriores, a corrida também usou os VO65, barcos de frota idênticos que permitiam uma disputa mais equilibrada entre equipes com orçamentos diferentes.

A última edição completa: Team Holcim-PRB

A última volta ao mundo completa da Ocean Race, disputada em 2022-23, foi vencida pela equipe suíça Team Holcim-PRB, comandada pelo navegador francês Kevin Escoffier — um dos nomes mais respeitados da vela oceânica, sobrevivente de um naufrágio dramático em alto-mar durante o Vendée Globe de 2020. Entre uma edição completa de volta ao mundo e outra, a organização também promove edições regionais, como a Ocean Race Europe, que percorre portos europeus em um formato mais curto.

A Ocean Race chega ao Brasil em 2027

A próxima volta ao mundo completa está marcada para começar em janeiro de 2027, saindo de Alicante, na Espanha, com uma primeira etapa monumental de cerca de 14.000 milhas náuticas até a Nova Zelândia. De lá, a frota segue para Itajaí, em Santa Catarina, que volta a receber a competição como porto de escala — uma ótima notícia para o público náutico brasileiro, que poderá acompanhar de perto a chegada dos IMOCA 60 depois de meses em alto-mar.

Por que é diferente de tudo

A Ocean Race é um teste humano tanto quanto náutico. Os tripulantes vivem em barcos por semanas seguidas, com pouco sono, comida liofilizada e as maiores ondas do mundo como companhia constante. As histórias que saem de cada edição vão além do esporte — são relatos de sobrevivência, companheirismo e superação, com equipes enfrentando avarias estruturais, resgates no meio do oceano e decisões táticas que podem custar dias inteiros de vantagem.

Diferentemente do SailGP e da America’s Cup, que acontecem em regatas curtas e próximas à costa, a Ocean Race é sobre resistência: dias e semanas de navegação ininterrupta, onde a gestão de energia da tripulação pesa tanto quanto a velocidade do barco.

Além da tripulação principal, cada barco carrega um repórter de bordo (onboard reporter), responsável por documentar a vida no mar em fotos, vídeos e relatos diários — muitas vezes a única fonte de imagens durante trechos isolados do oceano, longe de qualquer sinal de terra ou embarcação de apoio. Esse material é o que transforma a Ocean Race em um fenômeno também fora do universo da vela, com histórias que circulam em documentários e redes sociais.

Para quem quer entender o auge da resistência humana aplicada ao esporte a vela, a Ocean Race é a referência máxima — e, com a escala em Itajaí prevista para 2027, o público brasileiro terá a chance rara de ver de perto os barcos que acabam de cruzar meio planeta.

Náutica BR — cobertura editorial independente de campeonatos de vela.

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