SailGP: Australia venceu etapa da Alemanha em Sassnitz – Franca bate recorde de velocidade da temporada

A etapa da Alemanha do SailGP, disputada em Sassnitz, na costa do Mar Báltico, terminou neste fim de semana (22 e 23 de agosto) com a vitória da Austrália (BONDS Flying Roos), comandada pelo veterano Tom Slingsby, e com um novo recorde de velocidade da temporada 2026 estabelecido pela França. O evento reuniu os dez barcos-catamarã foil de 50 pés que compõem o grid atual do campeonato e confirmou Sassnitz como um dos palcos mais imprevisíveis do calendário, marcado por ventos fortes, chuva e disputas decididas nos últimos metros.

Imagem: Reprodução/Sail-World

Recorde de velocidade no primeiro dia

O evento, com ingressos esgotados nas arquibancadas montadas à beira do Báltico, começou no sábado (22) com a equipe francesa DS Automobiles, pilotada por Quentin Delapierre, batendo o recorde de velocidade da temporada 2026 do SailGP. O barco francês atingiu 107,63 km/h ao contornar a primeira boia de regata, superando a marca de 103,93 km/h que pertencia à Dinamarca desde 2025, estabelecida no mesmo traçado de Sassnitz. Não é coincidência: a configuração do canal entre a ilha de Rügen e o continente cria corredores de vento e correntes que costumam favorecer picos de velocidade, o que já rendeu ao local o apelido, entre os velejadores, de palco de “Crashnitz” (por conta dos acidentes registrados em edições anteriores) e “Flashnitz” (pelos recordes de velocidade que se repetem ano após ano).

Na fase de classificação por grupos do primeiro dia, o Grupo A foi liderado pelos neozelandeses do Black Foils, comandados por Peter Burling, que somaram 12 pontos com duas vitórias, um segundo lugar e um terceiro lugar nas quatro regatas do grupo — mesmo com uma quarta colocação na última bateria. A França ficou em segundo no mesmo grupo, com 11 pontos, seguida por Los Gallos (Espanha), de Diego Botín, e pelos suíços da Explora Journeys, ambos com 7 pontos. No Grupo B, a Austrália do BONDS Flying Roos, de Tom Slingsby, terminou na frente com 10 pontos, com a Suécia (Artemis), de Nathan Outteridge, em segundo com 9 pontos, o Canadá (NorthStar) em terceiro com 8 pontos e a Grã-Bretanha (Emirates GBR), de Dylan Fletcher, em quarto com 7 pontos.

A decisão do domingo: chuva, visibilidade quase zero e punição no fim

A grande final de domingo (23) foi disputada sob forte chuva e visibilidade extremamente reduzida — condições que, segundo relatos da própria organização do SailGP, dificultaram até a leitura das boias por parte das equipes. Foram à decisão de quatro barcos apenas os dois melhores classificados de cada grupo na soma dos dois dias: Black Foils (Nova Zelândia), BONDS Flying Roos (Austrália), NorthStar (Canadá) e Los Gallos (Espanha). A França, apesar do recorde de velocidade, não avançou à final — ficou fora do corte após a soma das baterias de classificação, resultado que reforça como o SailGP pune até o menor deslize num campeonato decidido por margens mínimas.

Na água, o Black Foils liderou a prova desde a primeira boia e chegou a construir vantagem que parecia suficiente para a primeira final da Nova Zelândia na temporada 2026. Mas um apito de penalidade por não manter distância na linha de chegada custou caro: Peter Burling terminou em quarto lugar, fora do pódio, apesar de ter sido a embarcação mais rápida durante praticamente toda a regata. Quem aproveitou o tropeço neozelandês foi justamente a Austrália: o time de Tom Slingsby também enfrentou uma penalização na própria linha de chegada, mas mesmo assim conseguiu se manter na frente, vencendo NorthStar (Canadá) e Los Gallos (Espanha), que fecharam o pódio em segundo e terceiro. Foi a quinta vitória da Austrália na temporada 2026 — um retrato da consistência da equipe, que voltou a mostrar por que é a favorita ao título havia duas temporadas.

Como fica o campeonato depois de Sassnitz

Com o resultado, a Austrália (BONDS Flying Roos) ampliou a liderança do Rolex SailGP Championship 2026 para 76 pontos, contra 62 de Los Gallos (Espanha), que subiu para o segundo lugar geral. A Suécia (Artemis) aparece em terceiro, com 53 pontos, seguida de perto por Emirates GBR (Grã-Bretanha) e pelo time dos Estados Unidos, ambos com 46 pontos — uma diferença mínima que garante uma disputa acirrada pelas vagas do top 3 nas etapas finais. O Black Foils da Nova Zelândia, apesar da primeira final da temporada, ainda ocupa posição discreta na tabela geral, na 12ª colocação, refletindo um início de ano irregular após o retorno da equipe ao grid competitivo do SailGP.

A distância de 14 pontos que a Austrália abriu para o segundo colocado é a maior vantagem de liderança da temporada até aqui, mas o campeonato do SailGP tem histórico de viradas na etapa final: o formato do circuito prevê que apenas os três primeiros colocados da classificação geral disputam a grande decisão “winner-takes-all” no encerramento da temporada, o que mantém times como Suécia, Grã-Bretanha e Estados Unidos matematicamente vivos na briga pelo título mesmo a algumas etapas do fim.

Próximas etapas do calendário 2026

Depois da parada na Alemanha, o calendário 2026 do SailGP segue pelo verão europeu com etapas em Portsmouth (Reino Unido), Valência (Espanha) e Saint-Tropez (França), antes de a temporada se encerrar com as etapas de Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, palco tradicional da grande final “winner-takes-all” que decide o campeão da temporada. O Brasil teve sua primeira etapa no calendário do SailGP em 2026, disputada no Rio de Janeiro — um marco histórico para a modalidade no país e que reforça o interesse crescente da liga por mercados fora do eixo tradicional europeu e australiano.

Por que Sassnitz é um palco especial para recordes

A pista de Sassnitz é considerada, dentro do paddock do SailGP, uma das mais tecnicamente desafiadoras do calendário justamente pela combinação de vento forte e ondulação do Báltico, que testa ao limite o material das embarcações e a leitura de rota das equipes. Não é a primeira vez que a etapa alemã produz um novo teto de velocidade: a marca anterior, de 103,93 km/h, também havia sido estabelecida ali, em 2025, pela Dinamarca. Os barcos F50 usados pelo SailGP são capazes de atingir velocidades superiores ao próprio vento graças ao sistema de foils — as “asas” submersas que erguem o casco da água e reduzem drasticamente o atrito, permitindo que as embarcações cheguem a navegar a mais de três vezes a velocidade do vento real em condições ideais.

Peter Burling, o piloto neozelandês que já venceu a Copa América

O comandante do Black Foils, Peter Burling, é um dos velejadores mais decorados da atualidade: medalhista de ouro olímpico na classe 49er em Rio 2016, ele também integrou a equipe neozelandesa que conquistou a Copa América em 2017 e 2021, antes de assumir o comando do time da Nova Zelândia no SailGP. A penalidade que tirou o Black Foils do pódio em Sassnitz é um tropeço raro para um velejador com esse nível de currículo, e reforça como o SailGP consegue equalizar a disputa mesmo entre pilotos de trajetórias tão vitoriosas em outras modalidades da vela de alto rendimento.

O legado de Sassnitz no calendário do SailGP

Desde que entrou no calendário, a etapa alemã de Sassnitz já se tornou sinônimo de recordes e resultados imprevisíveis, características que a organização do SailGP valoriza justamente por gerarem grande repercussão nas redes sociais e nas transmissões internacionais do campeonato. Esse tipo de reputação tende a se consolidar ainda mais a cada edição, na medida em que as próprias equipes já chegam ao evento cientes do potencial de recordes e de resultados fora do previsto — o que, em certa medida, também influencia a estratégia de risco que cada tripulação está dispostas a assumir durante as regatas.

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